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_porque existimos



Embriagados de democracia, nós, como sociedade brasileira, viemos interpretando as estruturas políticas à maneira que pareceu mais conivente. Ao invés de darmos adeus ao período de Ditadura Militar, demos apenas as costas, e toda a raiva e impulso continuou por aí impune, sobrevoando o que acreditávamos ter formado uma república democrática exemplar para uma América Latina marcada pelo sangue das guerras. Por isso falam que a Guerra Fria continua sigilosa pelas frestas, assim como o sentimento da extrema-direita que está “de volta”. A verdade é que nada disso efetivamente sumiu na história da humanidade. 

Na canção “O Fim da História”, o baiano Gilberto Gil faz uma constatação interessante contra nossa percepção de evolução política, destacando que as coisas se repetem tanto que o Grande Livro de nossa história tanto pode ser lido de trás pra frente ou de frente pra trás. Em um dos versos, utiliza o Lampião como um personagem que se transfigura de interpretação a depender do contexto “moderno” em que se olha. Ladrão, herói, bandido ou justiceiro, Lampião é tudo isso.

Para o Brasil, o ano de 2019 chegou como um chacoalho angustiante ao que se fundou a democracia. Eleito com 57 milhões de votos, quase os 61% de Lula nos dois mandatos, Jair Bolsonaro é uma marca “inédita” em todo nosso jogo. Enaltecendo torturadores da ditadura militar e declarando seu orgulho de ser homofóbico, conseguiu se eleger num período tão sensível e “elástico” para o Partido dos Trabalhadores, o principal “outro lado” político desde 2002. 

Na tarde do dia 1 de janeiro, o Governo Bolsonaro tomou posse com ministros militares, conservadores na educação e no meio ambiente, representantes de grandes empresários, e alguns famosos para bater a cota midiática. Não tem como prever o comportamento de um governo que divide espaços entre Sérgio Moro, o astronauta Marcos Pontes, e Paulo Guedes, por exemplo, o economista que quer dar as costas ao Mercosul e se desfazer de nossas estatais. O Brasil tende ao inédito projeto de um governo que esbanja a economia liberal como solução para o desemprego e desigualdade social, ao mesmo tempo que induz repressões sociais às diferenças e a violência contra a própria violência.

“A Fala” surge de uma inquietação de entender em que Brasil estamos nos transformando, partindo da necessidade de informar, produzir pensamentos e debates; compreender, principalmente, que fazemos parte de uma guinada muito mais expressiva em todo o mundo. Bolsonaro, por exemplo, vem fazendo a linha de Donald Trump, com a figura odiada pela imprensa, mas amada pelos empresários e ditos patriotas que enxergam no autoritarismo a solução imediata. 

Mas há muito mais lançado à mesa de pauta d’A Fala, um time de colunistas dispostos a repensar os passos do Brasil e do mundo na constante reinterpretação da democracia. Uma tarefa estranha que cabe ao jornalismo que investiga, argumenta e repensa, que reconhece que todos pertencemos a algo muito maior. A fala, a expressão mais sincera e instantânea da humanidade, é o que está em cada uma dessas linhas.


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