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Há 3 anos, o circo era montado no Congresso para votação do impeachment de Dilma Rousseff

Podemos pensar com mais propriedade, hoje, de que valeu a pena ceder à tirania parlamentar dentro do ambiente democrático?

Foto: Agência Brasil

POR ARTHUR GADELHA

No dia 17 de abril de 2016, o Brasil estava sintonizado na TV (e internet) acompanhando incrédulo a votação na Câmara dos Deputados que deu o pontapé oficial no impedimento de Dilma Rousseff, eleita com 54 milhões de votos. Ali, há três anos, instalava-se o primeiro golpe político nesse milênio contra a frágil e explicitamente desrespeitada democracia brasileira.

Aquele dia, um domingo que ficará marcado na nossa história recente, expôs a identidade vergonhosa dos representantes políticos que ocupavam aquelas cadeiras, que tanto se aproveitavam da máquina pública. Ficaram marcados os votos pela família, por Deus, e "pelo Brasil", e momentos específicos ainda ecoam na memória de um país de classe política perversa e hipócrita.

Como esquecer Raquel Muniz (PSD) que citou a honestidade do marido Ruy Muniz (PSB), prefeito de Montes Carlos, preso exatamente um dia depois por fraudes de licitação na saúde pública? Como esquecer o voto de Tiririca, o amado palhaço sem qualquer projeto de mandato, eleito duas vezes seguidas por pura brincadeira do paulista.

Como esquecer o voto de Jair Bolsonaro, hoje presidente da República, que invocou o torturador da Ditadura Militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, "o terror de Dilma Rousseff", apoiado por seu filho Eduardo Bolsonaro, e vaiado por poucos ao seu redor. Momentos inesquecíveis e profundamente humilhantes para qualquer lado que se instalou no cenário. Não é possível que os fervorosos racionais pela saída de Dilma tenham se orgulhado da posição daqueles homens que votavam rindo do processo ou soltando folia pela Câmara.

O processo contra Dilma Rousseff começou em seguida das eleições em 2014, quando Aécio Neves (PSDB) pediu recontagem dos votos; em seguida, Congresso e Senado se recusaram ao seu governo, principalmente tendo como aliado Eduardo Cunha em uma das casas. Dilma foi deposta por um ato feito às claras, por tantos outros presidentes, prefeitos e governadores brasileiros. As ditas "pedaladas fiscais" se tornaran crime de responsabilidade pelo poder que ansiava a "renovação política" ao passo da tirania; sem contar que o mesmo Senado Federal que a condenou aprovou a flexibilização de crédito suplementar sem autorização do Congresso (chamadas Pedaladas) apenas dois dias depois do impedimento.

O que hoje se tornou a "velha direita", entre PSDB e PMDB, não imaginava, porém, que todos os esforços seriam em vão, que a inflamação do ódio contra o Partido dos Trabalhadores faria seu clã desaparecer e emergir a extrema-direita como reação mais conservadora escondida nas estranhas do brasileiro.

Quase nenhum daqueles que votaram contra Dilma imaginavam que Bolsonaro seria o resultado. Hoje a direita e esquerda parecem coisa velha, e a completa desestrutura dessa era reacionária parece nos levar ao limbo da classe política. Mas o tanto que o jogo político se transformou nesses três anos, que mais pareceram uma década, deixa receio e expectativa sobre os próximos capítulos. O que seremos daqui a 5 ou 10 anos? Quanto tempo realmente custará a vida política de Bolsonaro? Por enquanto, resta-nos fazer parte de toda essa história.



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