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O Futebol Brasileiro ainda é a representação de seu povo?

Palmeiras ignora sua própria história ao convidar Bolsonaro para comemorar um título em campo junto aos seus atletas (Foto: Sociedade Esportiva Palmeiras)

POR IARA COSTA

Há 18 anos, a Argentina instituiu o dia 24 de março como o Dia Nacional pela Verdade e Justiça, data marcada para relembrar e repudiar a ditadura de 1976, responsável pelo desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas no país. Nessa mesma data, no ano de 2019, clubes populares do país se manifestaram com a campanha chamada NUNCA MAIS, trazendo acompanhada a mensagem de repúdio a essa época.

Talvez os hermanos ainda precisem aprender um pouco sobre o futebol-arte do Brasil, afinal, são 5 estrelas contra 2. Do mesmo modo, os clubes brasileiros precisam aprender com os hermanos o que é ser a representação de uma parcela da população, atitude que faltou aos clubes brasileiro esta semana, quando o presidente Bolsonaro decidiu ‘rememorar’ o lamentável fato histórico também vivido pelo Brasil e estes se mantiveram em silêncio.

Mas qual a importância de se posicionar politicamente?

Se posicionar ao lado de sua torcida é também escrever sua história, é muitas vezes defendê-la. O FC Barcelona, clube mais popular hoje do mundo, também é um dos clubes que mais tem sua história entrelaçada à política. O clube é uma das grandes representações catalãs da história da luta pela independência da região e também já foi símbolo de resistência na época da ditadura franquista.

No país dos hermanos, a Seleção está sempre se posicionando quanto o território das Ilhas Malvinas serem de propriedade Argentina, erguendo faixas com o objetivo de ajudar as Avós da Praça de Maio na busca de pessoas desaparecidas durante a ditadura. Vale lembrar que o ato é proibido pela FIFA, passível de multa e punição. Mas o que seriam multas frente a defender seu povo? Não falamos aqui de se aproveitar de manifestações para criar palanque, pois o futebol não deve servir de palanque para nenhum político ou partido. Clubes de futebol são maiores que isso. Mas devem ajudar e se fazerem voz do povo.

Recentemente a Brigada Popular Alvirrubra, torcida do Náutico, ergueu uma faixa com os dizeres “Quem Mandou Matar Marielle?”. O atual presidente do clube pernambucano, Edno Melo, em entrevista à Folha, disse que não via com bons olhos tais manifestações, afirmando que futebol não deve se misturar com política.  Se o torcedor não encontra no time a voz para defendê-lo, por que ele não pode assim fazê-lo, desde que feito da maneira certa, como foi o caso?

Apesar de ter conseguido erguer a faixa em jogo do Campeonato Pernambucano, faixas com mensagens políticas são proibidas pela polícia (Divulgação/Brigada Popular Alvirrubra)
As manifestações políticas que acontecem são unicamente para defender o interesse de seus torcedores, parte representante de uma população, do que eles acreditam, reivindicam e correm atrás no seu dia-a-dia.  Sendo feito do jeito certo, o futebol que é símbolo de defender algo que você ama pode também ajudar a população a defender o que ela acredita, desde que o que eles acreditem seja algo em favor de todos como os exemplos citados anteriormente. É lamentável que um dirigente de um clube pense desse modo.

Mais lamentável ainda é escutar o silêncio dos outros clubes brasileiros, ver um clube como o Palmeiras, fundado por imigrantes italianos, ter um título nacional comemorado com a presença de um presidente que marginaliza imigrantes brasileiros em outros países. Ter pouca esperança de que isso mude, pois é mais cômodo agradar uma dúzia de engravatados do que se fazer de voz para sua torcida. Mas até quando?

O Brasil pode estar à frente de Argentina e Espanha, quando se trata de estrelas no escudo, mas está muito atrás quando se trata de defender seu povo, ao invés de querer simplesmente agradar líderes políticos. Talvez isso apenas mostre que os clubes de futebol hoje parecem representar muito mais aqueles que usavam a camisa da Confederação Brasileira de Futebol em alguns atos políticos na rua do que quem realmente frequenta hoje as arquibancadas.


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