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Crise no MEC deixa claro que educação não é prioridade no Governo Bolsonaro

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Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados




Militares, "Olavistas" e "técnicos" do Governo iniciaram uma disputa de egos dentro da pasta

POR VICENTE SOUZA

Na última quarta-feira, 27, a audiência na Câmara dos Deputados com o Ministro da Educação Ricardo Vélez Rodrígues  passou pela arguição e culminou na humilhação do Ministro e da pasta. A ausência de conhecimentos, dados e projetos foi o que mais irritou os parlamentares, e é um reflexo do que está acontecendo nas outras frentes do Governo.

O desentendimento, inclusive com as lideranças dos governistas, já dura mais de um mês. A diplomacia e capacidade de argumentação não são os pontos fortes do presidente Bolsonaro, o que se torna bastante evidente nesse momento que passa por diversos problemas na estruturas do Governo e com as lideranças do Congresso. Um exemplo forte disso é o que passa o MEC, que já entra na quarta semana de desmonte de cargos. Militares, "Olavistas" e "técnicos" do Governo iniciaram uma disputa de egos dentro da pasta. É isso mesmo. Três grupos equivocadamente colocados ali para promover uma educação baseada em achismos e ideias com pouco ou nenhum fundamento teórico, muito menos prático, iniciaram uma disputa para ver quem tem maior poder de influência dentro do Governo.

Assim, fica óbvio perceber que a probabilidade desse contexto dar certo é baixíssima - quando três burros perdidos se encontram, eles continuam perdidos. Toda essa crise pelo qual passa o MEC é fácil de ser entendida quando se olha pela perspectiva de que a educação no Brasil não é uma prioridade do Governo Bolsonaro. Não existe um projeto de educação, a pasta foi montada e entregue como uma almofadinha para as pontas afiadas desse grupos ideológicos. Grupos que foram capturados como uma oportunidade eleitoral, que disseminam ódio, fake news, achismos ideológicos e propostas que beiram o absurdo.

E para quem acha que o que acontece na política não chega à sua vida, Marcus Vinicius Rodrigues, até então presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e exonerado na terça-feira, 26, pode impactar diretamente na agenda do Enem. Sua exoneração foi fruto da indecisão da pasta sobre a avaliação do modelo de alfabetização brasileira, que inicialmente foi suspensa e depois disso recolocada pelo Ministro. Nada muito diferente dos equívocos e declarações falsas que o próprio presidente comete praticamente todas as semanas. Marcus Vinícius fala em entrevista, inclusive, que houve ausência de reuniões de trabalho durante todo o período em que esteve a frente do Inep. Ora, se não há projeto, por que haver reuniões?

A educação brasileira passa por um momento extremamente conturbado e complicado por diversos motivos, que vão desde a falta de um projeto nacional, passando pelos conflitos e incompetência dos líderes da pasta, às ideias defendidas, mesmo que na forma de desejo, do Governo de Bolsonaro. Educação é coisa séria, é o que move o país. Ainda que ela não signifique libertação para nossos governantes, que ela signifique pelo menos oportunidade.

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