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Ciro Gomes, Tasso e PT pedem cautela sobre prisão de Temer. O que está acontecendo?

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Apesar de todos os ânimos que a prisão de Temer cometeu às esferas progressistas, seja centro-esquerda ou esquerda, o Partido dos Trabalhadores lançou uma nota inicialmente surpreendente

POR ARTHUR GADELHA

21 de março de 2019, a famosa e midiática Operação Lava-Jato prende o segundo ex-presidente brasileiro em menos de um ano. Michel Temer, ex-vice de Dilma Rouseff que assumiu a presidência após legitimar o golpe parlamentar de Eduardo Cunha e a velha direita brasileira, é preso. Inesperadamente, num dia qualquer e sem qualquer suspense prévio, num salto que deixou os aliados e até os oposicionistas assustados, Temer foi abordado pela Polícia Federal sob acusação de liderar uma organização criminosa há 40 anos e ter negociado quase 2 bilhões de reais em propina. Vitória imediata para Ciro Gomes que há anos avisa seu malcaratismo e para o PT que se viu traído pela liderança de Temer no Golpe de 2016, certo? Não é bem assim.

Apesar de todos os ânimos que a prisão de Temer cometeu às esferas progressistas, seja centro-esquerda ou esquerda, o Partido dos Trabalhadores lançou uma nota inicialmente surpreendente. Assinada por Gleisi Hoffmann, Humberto Costa e Paulo Pimenta, a nota atenta que, à primeira vista, a prisão lembra de imediato a coerção feita a Lula ao encarceramento sem que provas legítimas fossem apresentadas, e sem que o devido julgamento legal tenha sido realizado - uma medida urgente que foi tomada, e hoje está ainda mais claro, para impedir quaisquer chances que Lula tinha no processo eleitoral de 2018.

A nota diz esperar que as condenações “tenham sido decretadas com base em fatos consistentes, respeitando o processo legal, e não apenas por especulações e delações sem provas”, e em seguida reitera a deslegitimação que o partido ainda sente em relação ao ex-presidente, reforçando sua autoria no Golpe, e a agenda governada nesses dois anos voltada às reformas solicitadas pelos mais poderosos do país. Conclui o raciocínio que “no entanto, é somente dentro da lei que se poderá fazer a verdadeira Justiça e punir quem cometeu crimes contra a população”. (Leia completa)

Curioso, e parece sensato. Complexo, na realidade, para a militância que construiu um ódio justificado contra Temer desde os primeiros passos do que se concluiria em 2016. O conluio que impediu Dilma de concluir seu mandato apostou facilmente na liderança de Temer para aplicar as reformas que se desdobraram de forma brutal sobre o país, como a Reforma Trabalhista e as iniciativas da Previdência (criticada na época por Bolsonaro, e agora, legitimada). Ninguém ligou que Dilma fora inocentada das “pedaladas fiscais”, e nem para a legalização do ato em seguida ao afastamento. Águas passadas, e agora Temer prova da mesma incongruência que deve ter comemorado calado nos anos seguintes.

A questão, porém, não é ignorar a desconfiança. Ciro Gomes, por anos, acusa o malcaratismo de Temer nas enrascadas com Eduardo Cunha, sendo processado por ambos devido suas declarações de punho firme. Desde a prisão na tarde de ontem, 21, tem rodado nas redes sociais uma entrevista publicada há um ano onde Ciro reforça a visão que tem desses dois senhores e faz uma “previsão” da prisão de Temer. Quase que instantaneamente, o grupo apoiador de Ciro se opôs ao PT acusando-o de defender a soltura. No mesmo dia, o senador Tasso Jereissati (PSDB), classificou a prisão como “imprópria”, descartando porém que apoiasse a figura de Temer.

Apenas hoje, Ciro Gomes tomou uma posição além da especulação de que estivesse satisfeito. A nota, pedindo a mesma cautela que o PT, em toda sua preocupação de não parecer defensivo, merece ser lida na íntegra:



Pode ser traumático para os que se julgam à esquerda ter que ponderar a prisão de Temer, mas parece fácil prever o estado de hipocrisia que poderia sobrevoar os defensores que, acriticamente, poderiam torcer pela prisão por mero desejo político - como fez a página Time Ciro Gomes no Facebook. Os moderadores publicaram a nota do PT com a legenda "I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-EL", e antes mesmo do posicionamento oficial de Ciro, apoiadores atentaram nos comentários que a posição do Partido fazia sentido. A publicação, claro, foi excluída em seguida.

Michel Temer, porém, segue firme como um inimigo da democracia que aos poucos está saindo da linha de influência dentro da política, e é justamente por isso que sua condenação precisa ser legitimada. A história do Brasil, ao contar sobre esse conturbado pós-2016, não pode deixar rastros de dúvidas sobre a prisão do presidente que mais danificou o ambiente politico-social da pátria desde sua redemocratização. Temer é um personagem cujos feitos legais e ilegais precisam estar claros, comprovados e evidentes, senão será como o passado mal resolvido da Ditadura Militar que preferiu ser anistiada e esquecida pelo ideológico brasileiro. A justiça, em seu estado pleno, precisa ser garantida para que especulações e desconfianças não sejam em vão. Ficamos no receoso e aflito aguardo.



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