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Sobre o direito à cidade: Reunião imprópria no Serviluz marca uma Fortaleza ausente de Dialogo

Serviluz não se vende

Única foto disponível do encontro com as pessoas da Habitafor. Nota-se o espaço inapropriado para a reunião. Não há nem mesmo cadeiras.

POR RAFAEL BRASILEIRO

O Bairro Serviluz, localizado no nordeste da orla de Fortaleza, é um bairro periférico com uma localização estratégica. Está próxima ao maior porto da cidade e fica entre a Praia do Futuro e a Praia de Iracema, as duas praias dos cartões-postais da capital. Há, então, um processo de especulação imobiliária que visa (e vem avançando com ajuda de programas governamentais unilaterais, interessados no capital de grandes empresas) a remoção dos moradores do Bairro para que se torne mais um “paredão de prédios”. O próprio processo de ocupação do Bairro começa com um outro movimento de remoção, da antes chamada “Praia Mansa” (agora região integrada dentro do porto) e por uma população pobre que fica a margem de políticas públicas.

Para entender um pouco mais o processo histórico de ocupação do Serviluz, segue um curta-metragem realizado por um realizador do Bairro, Yures Viana, chamado “O povo da Praia Proibida” 


O bairro está sendo denominado de “área de risco”, o que parece ser um dos grandes conceitos usados pelos interessados em remover os moradores atuais do bairro. Acontece que o Serviluz é ZEIS (Zona Especial de Interesse Social), o que caracteriza que o Estado não tem o direito de seguir com esse processo de remoção. Curioso notar que ZEIS é um conceito utilizado pelo próprio estado, mas que propostas como “Fortaleza 2040” e “Aldeia na praia”, planos desse “futuro” da cidade, preveem a remoção de várias casas do bairro. Projetos que vão contra o plano diretor pensado para a cidade, configurando como crime.

Na última segunda-feira 04 de fevereiro de 2019, o Habitafor foi responsável pela apresentação do “Aldeia na praia/Serviluz” para a comunidade do titanzinho, como é conhecida a comunidade do Bairro Serviluz. A reunião ocorreu fora do horário combinado, num ambiente inadequado e não respeitaram os moradores, considerando a importância do assunto, uma vez que falamos do espaço em que vivem e convivem há anos.

A Associação dos Moradores do Titanzinho, organização criada por moradores do bairro engajados ativamente nas causas do bairro, lançou uma nota sobre a dita reunião e exige uma nova visita da Habitafor, tratando o assunto e reinvindicações dos moradores com o respeito necessário.


A associação, junto aos moradores do bairro, questiona, entre muitas demandas, a necessidade da remoção. Não há projetos de políticas públicas para melhoria de saneamento básico e moradia. Sabemos que a política de remoção é de interesse não da população que ocupa a região, mas de empresas que operam pela lógica capitalista de mercado pensando nas possibilidades de especulação imobiliária. É possível pensar alternativas para que esse quadro de “área de risco” possa mudar.

Nascemos únicos, com o passar
Dos anos nos tornamos espúrios.
A vida toma lados, uni ou bilateral,
De pai pra filho, e filho pra pai.
Fazendo graça, cativando abraços,
Vendo a vida com o pé atrás. Nunca
Se sabe quando deve correr ou
Ficar, ficaria triste sem te levar.
Dias e noite, escrevo poesia, como
Cuscuz. O sol bate e o olho se fecha.
Em dias sombrios tudo promete,
Agora aguarde, abram os portões.

Poema de Pedro Rykiel, poeta do Bairro Serviluz. Serviluz não se vende.

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