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PT comemora 39 anos em meio a fragmentação do partido

Do período eleitoral à oposição ao Governo Bolsonaro, o Partido de Lula enfrenta dificuldades com esperança na militância

Evento de 39 anos do PT no Hotel Oásis Atlântico, em Fortaleza, Ceará
POR ARTHUR GADELHA

Fernando Haddad, ex-candidato a presidência do Brasil pelo PT, às vezes parece peça nova no partido que encontrou a desilusão após anos de glória nas mãos de Lula. É o único que chegou a assumir a corrupção como “erros” do partido, o distanciamento das bases e a negligência com grupos sociais, e talvez possamos concordar que se saiu com uma braveza considerável ao liderar o partido num de seus momentos mais ácidos. Na noite do dia 15 de fevereiro, Haddad esteve em Fortaleza para comemorar com as forças regionais os 39 anos de seu partido. E que posição verossímil o novo líder da militância petista deu além de assumir o caráter de uma campanha 2022?

Nas eleições, Haddad entrou na chapa milagrosa de Lula porque era o único nome de mínimo conhecimento nacional – é realmente cômico que alguém cogitasse a parceria entre PT e Ciro Gomes, que segundo o próprio, foi convidado para ser vice de Lula. A partir de então, um estranho fenômeno foi se configurando. Quem assume a liderança do Partido? Com Dilma Rousseff a escanteio, ainda Lula? Haddad ou a presidente Gleisi Hoffman? Durante a campanha, pouco foram vistos juntos, e as divergências de posição política parecem distanciá-los de uma parceria efetiva.

Quando você é Governo durante quatro mandatos existe um processo de distanciamento das bases em função do fato de que a maioria dos quadros são assimilados pela máquina estatal. Isso é um processo muito desagradável, infeliz, mas acontece. O sucesso eleitoral do PT enfraqueceu o próprio partido em sua conexão com as bases.
Fernando Haddad, em entrevista ao El País

Quando Gleisi foi a posse de Nicolas Maduro, no dia 10 de janeiro desse ano, não só integrantes do Partido se remexeram silenciosos, como também as várias camadas do que entendemos ser a “esquerda brasileira”. Em entrevista lúcida ao El País, Haddad disse não entender a ida da presidente do partido à posse e pontuou divergência em relação ao entendimento da situação.


COMPOSIÇÃO DO PT NOS PODERES

Governadores – 4 (15%) - maioria
Deputados Federais – 56 (11%) - maioria
Senadores – 6 (7,40%)
Olhando para como o PT compõe o poder nas esferas brasileiras atualmente, talvez não tenha como falar em uma fragmentação física – o ideal de um país “feliz de novo” tendo base no gigante passado de Lula ainda é uma realidade encarada por seus dirigentes. A dúvida é se conseguirá ter alguém que puxe o bonde muito além de Lula, condenado pela segunda vez na Lava Jato, sem qualquer presunção de soltura.

Ainda sem traço de fisicalidade, a oposição ao Governo Bolsonaro é o que há de mais urgente na agenda do PT, e por enquanto, meios-fatos vão circulando pelo país. O deputado federal José Guimarães disse ainda essa semana sobre a estratégia de Haddad liderar as caravanas “Lula Livre” do partido, que têm como propósito discutir temas como a Reforma da Previdência e reascender a militância que o PT tanto se orgulha ter impulsionado no Brasil. A primeira parada do projeto foi, obviamente, o Ceará, estado que teria eleito Haddad com 71% dos votos – e após presenciar o evento, o que é possível concluir?

A intenção inicial dessa publicação era comentar sobre quais as reais estratégias do PT para os próximos quatro anos e se tinha opinião pública sobre o processo de Bolsonaro na presidência – e realmente esperava encontrar essas respostas no evento, destacado como o aniversário de 39 anos do partido. No entanto, carregado pelo povo como o próximo salvador, Haddad veio a Fortaleza presenciar e atuar em nada mais que uma frágil extensão da campanha. Duas horas de falas burocráticas, frases de efeito, muito “Lula Livre” e nenhuma novidade de discurso. Sinceramente, o PT já foi capaz de muito mais.

Haddad à mesa de dirigentes regionais no evento
A situação incha a relação com a outra “esquerda” forte no Estado, a de Ciro Gomes, e põe lenha na fogueira dos “menores”, como PSOL, PSTU e PCdoB, por exemplo. Com uma crise na democracia instalada desde a brusca alternância de poder com Temer, a esquerda vem caminhando nessa rota de desunião. Gleisi Hoffman retirou o apoio a Rodrigo Maia na presidência da Câmara após o PCdoB declarar seu voto, comicamente, igual ao do PSL, partido de Bolsonaro.

São muitas confusões externas e internas que colocam o PT num frágil estado de conciliação entre sua permanência na soberania e a agenda pública do dia-a-dia. É engraçado imaginar que sem Lula e sem as raposas da velha direita, como José Serra, Geraldo Alckimin, FHC, Aécio, etc., o Brasil parece caminhar num rumo completamente desconhecido de possibilidades.

Que infantilidade a nossa, imaginar que há 5 anos éramos capazes de entender tudo.

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