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Com escândalo na eleição do Senado Federal, de que lado está Kátia Abreu?

No último fim de semana, a ex-vice na chapa de Ciro Gomes para a presidência do Brasil tomou as atenções para si. Por que mesmo Katia Abreu tentou impedir a votação no Senado Federal?


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil



POR ARTHUR GADELHA

Dos 54 senadores que tomaram posse no primeiro dia de fevereiro, apenas 8 já conheciam a casa. É um índice alto de “renovação” que entrega à população uma sensação de que os novos ares estão por vir. Passada a cordialidade da cerimônia, chegou a hora do verdadeiro trâmite político retornar ao caos que muitos de nós acompanhamos de perto nos últimos anos. Nos dias 1 e 2, quem assistiu à confusão durante a eleição presidencial do Senado Federal provavelmente se recordou dos muitos outros episódios que nossos representantes nos envergonharam por desentendimentos dos mais pífios. E no meio de toda essa chafurdaria, uma personagem surge como transgressora do que chamavam de “ordem”: Katia Abreu, senadora do PDT.

É difícil entender até mesmo para quem acompanhou a sessão, mas a confusão se intensifica com o “novo senado” se declarando soberano sobre o próprio regimento interno que explicita o voto secreto. Para garantir o contrário, Davi Alcolumbre (DEM), hoje presidente, subiu na mesa diretora e comandou a votação que viria a pontuar 50 votos a 2 para a abertura dos votos.

Katia não pôde aceitar as duas coisas. O regimento determina com muita clareza que além do voto ser obrigatoriamente secreto, uma eventual mudança precisaria de aceitação unânime dos votantes. Em meio aos gritos de Katia pela casa, à beira dos microfones, a ideia que Davi mais repetia da cadeira presidencial era sobre a “soberania”. Mesmo com decisão do STF surgindo na madrugada e exigindo o cumprimento do regimento, no dia seguinte alguns abriram seus votos em protesto – um caos generalizado que acabou levando Renan Calheiros (MDB) a renunciar sua candidatura.

Katia subiu na mesa, confiscou a pasta comandada por Davi numa posição que também não lhe pertencia. Ele concorria ao cargo e como poderia conduzir a votação? Desceu com os papeis e se recusou a entregar novamente num dos episódios que já nascem clássicos da política brasileira – no Twitter, faziam piada com a Venezuela: “Katia Abreu se declarou presidente interina do Senado”.

Apesar de muitos dos pesares, Katia é uma personagem forte nas discussões políticas. No mesmo Senado Federal, e então afiliada ao “antigo” PMDB, foi uma das principais defensoras de Dilma Rousseff durante o processo do Golpe Parlamentar que a destituiu. Assim como parece muito óbvio o seguimento das regras do Senado, era o mesmo na defesa de Dilma. Afinal, as tenebrosas “pedaladas fiscais” foram legalmente flexibilizadas em seguida ao impedimento da ex-presidente.

Enfim, mas e agora, 2019, o que realmente queria Katia ao protagonizar esse escândalo vibrante numa casa de novatos? Além da lei, a quem mais interessava o voto secreto? Renan Calheiros era o nome que vinha sob os holofotes do que seria seu quinto mandato, mas Renan... Bom, a gente conhece bem esse personagem. Da conversa com o Sérgio Machado, o mesmo do “com o supremo, com tudo...”.

Não parece mais aceitável que alguém possa defender Renan, e o voto secreto calha por aí. O próprio lamentou revoltado que o PSDB coalizou seus integrantes a abrir o voto, assim como Flavio Bolsonaro, do PSL, o fez. Na eleição, Renan se mostrava muito atencioso a Katia que parecia a única disposta a defender o regimento.

Do outro lado, Davi Alcolumbre representa uma vitória à tramitação de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Com um histórico de processos no STF por possíveis crimes eleitorais, Davi também assusta na maneira como se impôs à condução da eleição, pois lembra com um borrão sobreposto as ações “soberanas” de Eduardo Cunha na Câmara Federal. E então? Quem está com quem?

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, é do mesmo partido de Davi e foi apoiado pelo PDT na eleição quase paralela. Mas se Kátia no PMDB defendeu Dilma em plena retaliação do partido, porque não faria o mesmo num possível “conflito” de interesses com o PDT? Ciro Gomes vive bradando sua oposição ao Governo Bolsonaro, mas como anda sua relação com essa demanda? Em 2018, na campanha ao lado de Ciro, Kátia falava em facilitar a posse de armas para fazendeiros distantes, assim como adotou por sua carreira um discurso apaziguador sobre aproximar a preservação ambiental ao “progresso” – as mesmas posições "inofensivos" que hoje faz o Governo, que Bolsonaro falou em Davos antes da tragédia em Brumadinho. Bom, esse é um assunto mais extenso. Quanto ao escândalo original, numa leitura lógica sobre o caos no Senado, Katia Abreu estava certa. Assim como Renan, a ovelha negra da velha política que não credita à vitória de Davi um processo democrático.

É realmente possível escolher um lado?

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