Header Ads

A crise no Ceará denuncia a imaturidade partidária de Bolsonaro

POR ARTHUR GADELHA

Quem poderia imaginar que a primeira grande crise nacional de Bolsonaro envolveria justamente o PT. Os ávidos pelo acirramento partidário, a começar pelo próprio presidente, insistem em fazer algum vínculo com essa situação, expondo uma condição estranha de "liderança". O Governo Bolsonaro tem medo de tudo que pareça “comunista”, chegando ao ponto de substituir as cadeiras vermelhas do planalto por azuis, e é com essa a postura “madura” que gerencia as transformações no Brasil prometidas aos seus eleitores. Voltando a janeiro desse 2019, em meio à crise das facções criminosas no Ceará, chegamos ao enaltecimento do próprio poder por atender um estado cujo governo é “radical a nós” – palavras do presidente.

Quando Fernando Haddad, então candidato a Presidência, veio ao Ceará aos pés do segundo turno, o governador do Ceará Camilo Santana estava ao seu lado no palanque. Contra o palavreado de que Camilo é disfarce do PDT na família Ferreira Gomes, liderada por Ciro, o político se orgulhou diante uma massa expressiva na Praça do Ferreira de integrar o Partido dos Trabalhadores. “Fui eleito e reeleito um governador do PT. Do PT” - enfatizou. E não há como sequer questionar sua condição no Ceará, mesmo na crise do partido, reeleito em 2018 com quase 80% dos votos.

Bolsonaro, ao dizer-se gerente do novo Brasil, parece não entender que toda a chafurdaria das eleições passaram. Por ser um candidato completamente contrário as diretrizes do PT, ele também precisa que tudo que aconteceu permaneça no assombroso passado. Para atrair a atenção da outra direita destruída, por exemplo, precisa fazer com que esqueçam suas declarações homofóbicas, inconstitucionais e reverentes à Ditadura Militar, afinal, precisa parecer a salvação patriota. Por que, então, o presidente de todos brava que varrerá os vermelhos da nação? Por que então alfineta um governador eleito com quase os votos integrais do Estado e faz de si um ícone apaziguador por simplesmente exercer sua função?

Não houve, durante os 14 anos, qualquer posicionamento constrangedor de Dilma ou Lula contra os vários governadores eleitos por partidos da direita e até mesmo do que se desenhava ser a extrema-direita religiosa que lidera Bolsonaro. É a condição de ser presidente de um país com dimensões tão monstruosas quanto o Brasil.

A crise das facções no Ceará foi uma pauta recorrente durante o primeiro governo de Camilo, um eterno conflito entre a pressão contra o crime organizado e sua imediata retaliação. É uma guerra entre o crime e o Estado que nós, cidadãos assustados, temos a aflita função de apenas assistir. Surpreende que General Teóphilo, que competiu com uma fraqueza imensa na eleição de Camilo e que agora integra a equipe “especial” do ministro Sérgio Moro, diga que a culpa são os maus tratos a Polícia Militar. Nem parece cearense, porque toda cabeça de Fortaleza conhece essa briga de outros carnavais.

A Força Nacional requerida por Camilo num ato constitucional além dos atritos partidários já está em Fortaleza. Se ajudará em alguma coisa é a grande dúvida, pois parece impossível entender como penetrar a raiz do sistema. A Força e o Estado podem fazer recuar, mas não é possível que Camilo e a superinteligência de Bolsonaro acreditem mesmo nessa estratégia. Retardar o poder de retaliação das facções contra o Estado com a força policial imediata é a mesma consciência de resolver o tráfico de drogas com a superlotação dos presídios. Bom, pelo menos não há como negar que essa solução combine com o imediatismo inconsistente do nosso atual Governo Federal. Só não tem como ter certeza se isso tem a cara de Camilo, que parece mais acuado a dar uma resposta ao Ceará, e agora ao Brasil de Bolsonaro, do que efetivamente resolver a situação. Mas pelo andar da carruagem, muita água ainda vai rolar, e a gente continua exercendo nossa função: assistir.


Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.