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O fanatismo religioso e o conservadorismo que levaram a decadência de Portugal no século XIX. O que aprendemos?

Não levar em consideração o que houve no passado para construção do futuro é um ato de tamanha irresponsabilidade com seu povo

Foto: Reprodução Internet

POR BRUNO DOMINGOS

O Brasil caminha para o retrocesso que viveu Portugal no século XIX? É o que tudo indica. A onda que vem tomando conta do país nos últimos anos nos faz lembrar com clareza a história que passou a corte portuguesa antes da fuga para a até então colônia, o Brasil, na manhã de 29 de novembro de 1807.

Portugal que foi soberano dos mares em meados do século XVI caiu na ribanceira nos dois séculos seguintes após se opor às revoluções e não acompanhar seus irmãos de continente como França, por exemplo, que saiu a frente com a revolução francesa seguindo o iluminismo que criticava em sua maioria a intolerância da igreja e dava mais espaço para o homem progressista. Para se ter uma ideia do grave problema religioso, a Rainha Maria I deixou seu herdeiro, Dom José, falecer por proibir a aplicação de uma vacina contra varíola. Para ela, Deus sabia a hora de tirar a vida de alguém. 

A economia de Portugal resistia até mesmo à revolução industrial britânica que desenhou o futuro comercial do mundo pouco tempo depois. Era mais fácil se manter com práticas simples de heranças, cassinos e extrativismo que ligava diretamente ao escravismo e colonizações truculentas. 

Se perder em meio a novas formas de avanço econômico era uma questão de tempo e a corte não queria ter trabalho e nem ir de contra a doutrinação da igreja que nem sequer permitia que homens e mulheres assistissem a missa no mesmo lado e ainda assassinavam em nome de Deus em praças públicas. 

Observando tudo isso de hoje, século XXI, fica até difícil de acreditar que nosso “descobridor” agia de tal maneira. Mas fica fácil entender o por que da partida, um tanto forçada, à terras sul-americanas. Hoje esses atos se repetem, não da mesma intensidade e nem para os mesmos fins, mas continuam a colocar religião e costumes obsoletos a frente de um povo multicultural e tão diversificado como o brasileiro. 

Nos dias atuais, o resultado das últimas eleições no Brasil, de longe não nos lembra nada que vivemos após a redemocratização. A polarização PT e PSDB chegou ao fim. E não estávamos preparados para tal acontecimento! O PSL era um partido nanico até 2018 quando recebeu de paraquedas Jair Messias Bolsonaro. Hoje o então presidente da república encabeça o conservadorismo e o favorecimento à religião dentro da política brasileira. O partido de Jair saltou de um deputado federal eleito em 2014, para 52 no ano de 2018.

Com slogan que remete a forte presença do evangelho no poder, que em parte conta com “Deus acima de todos”, a maioria dos membros do novo governo é contra teorias evolutivas que entram em discordância a teorias da igreja. Soando até de forma cômica é favor de cores que designam gênero sexual, também vai na contramão de avanços como direitos LGBTs e poderes sobre o próprio corpo das mulheres. Os que estão ali à frente das principais decisões da nação parecem não se atentar para o que houve com nosso o colonizador, ora invasor, ora escravista de índios segundo historiadores. 

Não levar em consideração o que houve no passado para construção do futuro é um ato de tamanha irresponsabilidade com seu povo. Fingir que não estamos retrocedendo para impor doutrinação religiosa lesa a sociedade que não se atenta para o que está havendo e é levada como massa. E para uma grande parcela que historicamente produziu um enorme volume de fake news, acreditar que está sendo conduzida ao caminho certo é inevitável.

O Brasil conhecido mundialmente como a potência da América do Sul está alinhado politicamente a poderosos conservadores. Estados Unidos sai do conselho da Organização das nações unidas (ONU) para direitos humanos e retira o nome da Organização das nações unidas para educação ciência e cultura (UNESCO), mostrando o retrocesso incessável com as políticas de auxiliam permanente. Seguindo o “grande irmão americano”, o Brasil deixou o pacto de migração da organização e tem na composição do governo um chanceler que critica o “globalismo” em seus textos, quando diz que as ideias “Marxistas” dão norte para as teorias climáticas.

Portugal se viu acuado, sem ter norte para o crescimento da economia do país justamente por se fechar a globalização e não seguir grande parte do mundo que se atualizava conforme as descobertas. Isso fez com que o enfraquecimento fosse inevitável e entregasse a Napoleão o país sem titubear. 

A fuga da corte de Portugal, não é o que aconteceria para o Brasil, óbvio, há anos somos república. O que se espera, caso persista o governo viver na bolha contra o progresso, é um enfraquecimento enquanto nação. Se o país se fechar para outras revoluções progressistas, retirar inconstitucionalmente direitos adquiridos das minorias e fingir que não precisamos quebrar alguns paradigmas para seguir avançando, o futuro é incerto, mas temos base histórica do que poderemos vir a passar.


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