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Bolsonaro e Piñera semeiam um relacionamento sul-americano. Por enquanto, só paqueram no jardim.

Parece que a desestatização das terras pode ser um pontapé para um relacionamento legal e sem delongas entre Bolsonaro e Piñera, presidente do Chile

POR SABRINA LIMA  |  de Santiago, Chile

Bem, a gente já sabe que a aproximação de Jair Bolsonaro e Sebastian  Piñera está bem clara para a Sociedade Internacional. Os próprios tweets do presidente brasileiro em relação ao seu grandioso carinho pelo presidente chileno denunciam esse romance parlamentar. A presença de Piñera com sorrisos e abraços na posse de Bolsonaro também já mostra que essa aproximação está caminhando para um relacionamento mais moderno; digamos que seria um relacionamento aberto, até porque se o Governo Chileno estabelecesse um relacionamento sério com o Governo Brasileiro seria um tiro no próprio pé. Piñera nao sustenta, pelo menos abertamente, um discurso homofóbico e racista como o de Bolsonaro, o que assusta muito seus eleitores chilenos. Às vezes, ele é até um Bill Clinton Chileno: coroa bonito, moderno, pra frentex e que parece preocupado com o povo.

Semana passada, 18 de Janeiro de 2019, a frente do palácio presidencial chileno, o famoso La Moneda, estava sendo ocupada pelo camponeses do país em defesa das suas sementes e lutando contra o TPP (Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica), onde o Chile e outros 10 países - incluindo os EUA - são signatários. O TPP foi firmado em 2018 e agora vem discutindo a aprovação de uma nova lei de privatização de sementes, especialmente no Chile. No País já existe uma lei de privatização de sementes por empresas e centros de pesquisas, permitindo que os agricultores as utilizem e as guardem para a temporada de plantação seguinte. Isso só escancara que desde o governo de Bachelet, a comunidade camponesa vem sofrendo constantemente com o defasamento e retirada de programas essenciais de assistências tecnológicas e de cultivo aos povos do campo. Essa nova lei que vem a ser aprovada pelo TPP vem com tudo: as empresas podem privatizar as sementes crioulas campesinas, e a reserva das sementes para uma próxima temporada será criminalizada, a produção será confiscada, colocando em risco toda a produção e a renda do agricultor.

Está cada vez mais claro que essa onda da privatização vem se tornando moda - e não é de hoje - na região latino-americana, assumindo o papel de uma “salvação econômica”, onde ela sempre chega como quem não quer nada no discurso de Jair Bolsonaro. Sabemos o que o presidente brasileiro pensa sobre o Movimento dos Sem Terras e quais as suas pretensões violentas e reacionárias contra o povo do campo brasileiro. Desde o ano passado, o MST vem discutindo e lutando contra o processo de transferências de titulação de terras, onde ela garante por lei a propriedade da terra para as famílias assentadas. Esse processo vem sendo fortemente defendido pelos grandes empresários, principalmente, pelo agronegócio, já que são eles quem mais vão lucrar com a situação: oferecendo capital, que em um primeiro momento parece suficiente e valorativo, para o camponês vender sua terra.

Parece que são situações distintas que estão machucando o cotidiano do camponês de cada país, mas a diferença é sutil e o estopim é o mesmo: a privatização. Assim, parece que a desestatização das terras pode ser um pontapé para um relacionamento legal e sem delongas entre Bolsonaro e Piñera, já que o fetiche pelo militarismo os dois já possuem.

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