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As contradições de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde

Quem convive com o Sistema Único de Saúde vive um drama: as incertezas em relação ao posicionamento do Governo Federal 

POR VICENTE SOUZA

Todas as mudanças e posicionamentos nos primeiros dias de Governo apontam para políticas públicas minimalistas e com direção ao liberalismo, com propostas de privatizações e desestatizações dos serviços. Um reflexo da mudança de direção aconteceu ainda no Governo provisório, com o rompimento das relações com Cuba e todas aquelas consequências desastrosas para o programa Mais Médicos e, principalmente, para os municípios afetados.

Com a posse de Luiz Henrique Mandetta para o Ministério da Saúde, os ânimos ficaram ainda mais inquietos. O ex-deputado demonstrava seu posicionamento simpático ao conservadorismo de Bolsonaro e com discursos inflamados de ódio ao Partido dos Trabalhadores e às pautas da esquerda, vomitava acusações para a chamada velha política corrupta e ineficiente. Apesar disso, Mandetta é acusado de fraude em licitações, caixa dois e tráfico de influência durante o período em que foi Secretário de Saúde de Campo Grande (2005 – 2010). 

O atual Ministro é acusado de fraudar a implementação de um sistema de prontuários eletrônicos na rede municipal, sistema esse que nunca foi instalado. A contradição não para por aí, pois uma das poucas propostas de governo Bolsonaro para a saúde é a implementação de um sistema de prontuário eletrônico nacional, que irá vincular todos os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Parece que o Ministro tem experiência com a implementação desse tipo de serviço, não é mesmo?

Outra questão contraditória é a proposta de Bolsonaro de criar cargos de médicos federais de carreira. Uma proposta defendida há tempos pelos mais conservadores da classe médica, mas que vai de encontro a desestatização de serviços e a contenção de gastos públicos com a saúde, avidamente defendida pelo Presidente e sua equipe de Ministros e apoiadores. Entretanto, diante da recente sinalização de favorecimento das políticas públicas para classes simpáticas de Bolsonaro, como os militares e a previdência, podemos esperar mais e mais contradições.

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