Header Ads

Antipetismo: um espelho distorcido e a justiça do silêncio

Hoje, dia 30 de janeiro de 2019, Lula foi privado de velar o corpo do irmão

Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

POR BEATRIZ ALMEIDA


Nas últimas eleições presidenciais, no embate entre os candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), o termo "antipetismo" foi bastante recorrente e usado como argumento por parte dos 55,1% dos brasileiros, em sua maioria na região Sul e Sudeste, que escolheram o candidato oposto ao do Partido dos Trabalhadores, afirmando principalmente que a razão era não querer votar em Haddad por ser filiado ao PT. Um exemplo na prática do que é o antipetismo, já que Jair Bolsonaro mostrou-se, antes mesmo de se tornar candidato, ter pensamentos antidemocráticos que escancaram mais ainda a ferida das desigualdades e intolerâncias do país.

Essa ideia criada e apoiada pela mídia afirma que com o expurgo do PT "do poder", chegariam ao fim também todos os problemas estruturais da política no Brasil, entre elas a corrupção. Esse argumento é distorcido se assemelha em colocar um espelho na frente do partido para uma reflexão profunda. Porém, a imagem refletida no espelho é de apenas uma pessoa: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mediante as escolhas do novo governo, percebemos que Lula é hoje um preso político no Brasil, um concorrente perigoso durante as eleições que vem sofrendo diretamente com o que se construiu em torno do antipetismo. 

Todo movimento social pede a existência de uma personalidade capaz de carrega toda a carga das ações, tornando-se símbolo de tudo que representa. Lula, mesmo com idade avançada e em cárcere, vem carregando um grande peso do ódio ao seu partido e à sua posição política. A imagem desse homem incomoda a direita, incomoda os empresários que lucram com o pobre privado da informação, o pobre com a noção dos seus direitos.

Hoje, dia 30 de janeiro de 2019, Lula foi privado de velar o corpo do irmão, expondo a justiça seletiva que é disseminada no país. A justiça do silêncio, contra qualquer sentimento de humanidade, lembrando aos brasileiros que não temos há muito tempo o direito de velar nossos mortos e ter o momento de maior percepção da natureza humana: o luto.

O antipetismo veio como uma ferramenta de desmascaramento, mas tornou-se a própria máscara - o limite da visão. Uma máscara sem buracos que prende, tortura e sufoca na tentativa de ressecar os sentimentos e matar aos poucos.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.